22.4.07

Insónia

Não é alarmante, porque raramente me acontece. Ontem tive uma insónia e, já bem tarde, ou bem cedo na madrugada, peguei num livrinho pequenino e comecei a relê-lo. "A criança e a vida", textos infantis, coligidos por Maria Rosa Colaço, em edição de 1970.

Aqui deixo dois exemplos de conteúdo:

São mãos que trabalham

São mãos que trabalham.
São de homens que puxam barcos, guiam máquinas, arrancam pedras, martelam nas ruas.
Estas mãos têm dores.
As mãos com feridas têm saudades da água fresca, das flores, da língua dum cão, das penas dum passarinho.
Os homens destas mãos são tristes. Têm fome, têm sede, gostavam de acordar um dia e descansar de manhã à noite.
Gosto muito das mãos das pessoas que trabalham.
Estas mãos fazem lembrar um coração com susto.

Dia de Natal

Tristeza vai-te embora
Tristeza
pequena morte.
Chega a noite, vai-se o dia
e assim há-de desaparecer este pobre diabo
que eu sou
com calças rotas
camisola cosida.
Esperavas um milagre nesta noite de Natal?
A camisola não recebeste
as calças não tas deram.
Bem feito
para não acreditares em anjos.

Não espanta que o sono demorasse ainda a chegar, pois não?