30.4.08

Mudanças

Se fosse gente, diria que mudava de casa.
Sendo rio, poderá dizer-se que mudou de leito?
A partir de amanhã, dia 1 de Maio, escritos e imagens que costumam correr por aqui andarão por um outro caminho, mantendo o seu jeito de ser, ou tentando ser diferentes, de quando em vez.
Maio é um excelente mês para mudar. É tempo de rosas, de papoilas e de trigo. É tempo de desabrochar, desenvolver e amadurecer.

Como dizia Zeca Afonso: Maio, maduro Maio!

Maio maduro Maio
Quem te pintou
Quem te quebrou o encanto
Nunca te amou
Raiava o Sol já no Sul
E uma falua vinha
Lá de Istambul

Sempre depois da sesta
Chamando as flores
Era o dia da festa
Maio de amores
Era o dia de cantar
E uma falua andava
Ao longe a varar

Maio com meu amigo
Quem dera já
Sempre depois do trigo
Se cantará
Qu'importa a fúria do mar
Que a voz não te esmoreça
Vamos lutar

Numa rua comprida
El-rei pastor
Vende o soro da vida
Que mata a dor
Venham ver, Maio nasceu
Que a voz não te esmoreça

A turba rompeu

28.4.08

Rosas






Poema para o meu amor doente

Hoje roubei todas as rosas dos jardins
e cheguei ao pé de ti de mãos vazias...

Eugénio de Andrade (As Mãos e os frutos)

Mais singelezas

Não são orquídeas; mas têm uma capacidade admirável de resisitir às adversidades.




24.4.08

Liberdade



Não há excesso de liberdade se aqueles que são livres são responsáveis. O problema é liberdade sem responsabilidade.
(Milton Friedman)

Não devemos acreditar na maioria que diz que apenas as pessoas livres podem ser educadas, mas sim acreditar nos filósofos que dizem que só as pessoas educadas são livres.
(Epictetus)


Não é livre quem não tenha obtido domínio sobre si mesmo.
(Demófilo)

A liberdade, ao fim e ao cabo, não é senão a capacidade de viver com as consequências das próprias decisões.
(James Mullen)

23.4.08

Promessa





Está lá tudo: formas, cor, textura e perfume.

Basta dar tempo ao tempo.



Serra da Arrábida














Só há uma ferida nesta serra: a fábrica de cimento no Outão.

Tecer os dias

















Primeiro encher os olhos, depois o aroma e sabor de um café.

22.4.08


Bastava-nos amar. E não bastava

Bastava-nos amar. E não bastava
o mar. E o corpo? O corpo que se enleia?
O vento como um barco: a navegar.
Pelo mar. Por um rio ou uma veia.

Bastava-nos ficar. E não bastava
o mar a querer doer em cada ideia.
Já não bastava olhar. Urgente: amar.
E ficar. E fazermos uma teia.

Respirar. Respirar. Até que o mar
pudesse ser amor em maré cheia.
E bastava. Bastava respirar

a tua pele molhada de sereia.
Bastava, sim, encher o peito de ar.
Fazer amor contigo sobre a areia.


J. Pessoa

21.4.08

Olhares ao azul






















Tal como faz a pessoa da última foto, costumo andar por ali a escutar o mar e a apanhar pedras e conchas. São momentos de grande tranquilidade.

Rebentos, flores e frutos

















É mesmo - a Primavera já chegou há um mês.

19.4.08

Plantei


Plantei mais flores e reli As Rosas de Atacama.
É importante ocupar as mãos e a mente.

18.4.08

Azulejos e pedras maneirinhas


Um património a defender.
Peças soltas ou painéis completos de azulejos são roubados por encomenda.
Diz-se que vão para a América e para alguns países da Europa.
Também as pedras de muros rústicos, pelos vistos, são "exportadas" para enfeitar vivendas, lareiras, piscinas. Estão talhadas e têm patine!
São apontadas as zonas de Vila Nova de Foz Côa e Figueira de Castelo Rodrigo, assim como as regiões de vinhedos nos concelhos de Sabrosa, S. João da Pesqueira, Tabuaço e Alijó, como locais de origem. O destino seria Espanha, França ou até Alemanha.
Tal como nos incêndios, também nestas matérias, e a cada um de nós na medida do possível, cabe informar/prevenir.

17.4.08

Um Poema



ÚLTIMA PÁGINA

Primavera. Um sorriso aberto em tudo. Os ramos
Numa palpitação de flores e de ninhos.
Doirava o sol de outubro a areia dos caminhos
(Lembras-te, Rosa?) e ao sol de outubro nos amamos.

Verão. (Lembras-te, Dulce?) À beira-mar, sozinhos
Tentou-nos o pecado: olhaste-me... e pecamos;
E o outono desfolhava os roseirais vizinhos,
Ó Laura, a vez primeira em que nos abraçamos...

Veio o inverno. Porém, sentada em meus joelhos,
Nua, presos aos meus os teus lábios vermelhos,
(Lembras-te, Branca?) ardia a tua carne em flor...

Carne, que queres mais? Coração, que mais queres?
Passam as estações e passam as mulheres...
E eu tenho amado tanto! e não conheço o Amor!


OLAVO BILAC (1865-1918)

16.4.08

Em fogo



Em fogo, em beleza pura.
Recolhimeno e assombro.

Envelhecer


Dali (com os meus agradecimentos)


Porque me agradou muito.
Uma pessoa envelhece lentamente: primeiro envelhece o seu gosto pela vida e pelas pessoas, sabes, pouco a pouco torna-se tudo tão real, conhece o significado das coisas, tudo se repete tão terrível e fastidiosamente. Isso também é velhice. Quando já sabe que um corpo não é mais que um corpo. E um homem, coitado, não é mais que um homem, um ser mortal, faça o que fizer... Depois envelhece o seu corpo; nem tudo ao mesmo tempo, não, primeiro envelhecem os olhos, ou as pernas, o estômago, ou o coração. Uma pessoa envelhece assim, por partes. A seguir, de repente, começa a envelhecer a alma: porque por mais enfraquecido e decrépito que seja o corpo, a alma ainda está repleta de desejos e de recordações, busca e deleita-se, deseja o prazer. E quando acaba esse desejo de prazer, nada mais resta que as recordações, ou a vaidade; e então é que se envelhece de verdade, fatal e definitivamente. Um dia acordas e esfregas os olhos: já não sabes porque acordaste. O que o dia te traz, conheces tu com exactidão: a Primavera ou o Inverno, os cenários habituais, o tempo, a ordem da vida. Não pode acontecer nada de inesperado: não te surpreende nem o imprevisto, nem o invulgar ou o horrível, porque conheces todas as probabilidades, tens tudo calculado, já não esperas nada, nem o bem, nem o mal... e isso é precisamente a velhice.
Sándor Márai, in 'As Velas Ardem Até ao Fim'

15.4.08

Uma quieta inquietação


que nos devora mansamente.
É o que se sente nos dias de pessimismo.
Digo eu, que já não sei ser nem muito optimista, nem muito pessimista.

11.4.08

Nunca é tarde

The bucket list


Haja os meios, nunca é tarde!

7.4.08

Os amigos


..................................
Os amigos não têm de estar onde eu quero mas onde gostam de estar. A dor dos meus amigos é a minha dor. A sua felicidade será a minha. Perder um amigo é ficar mais só. O privilégio de ter amigos será sempre a nossa grande riqueza. Na vida, na nossa vida, acho que não deve haver inimigos. Deve doer que se farta ser inimigo. Ter inimigos é uma perda de tempo. Não leva a nada. Desgasta e mata.
..................................
Não basta ter amigos. É preciso saber conservá-los. Tenho muito que fazer. Até lá espero que me perdoem esta ausência física com a certeza segura de que apesar disso os guardo sempre no melhor sítio de mim próprio.

Octávio Cunha (pediatra)
in notícias magazine #828

5.4.08

Já começa a saber bem


Depois de caminhar na areia, ir por aqui adiante ou, simplesmente, sentar ou deitar sobre uma pedra grande!

3.4.08

Sabe da dor, da velhice, do amor, da vida

Philip Roth
Em 1997 PHILIP ROTH ganhou o Prémio Pulitzer com Pastoral Americana. Em 1998 recebeu a Medalha Nacional de Artes da Casa Branca e em 2002 o mais alto galardão da Academia Americana de Artes e Letras, a Medalha de Ouro da Ficção, anteriormente atribuída a John dos Passos, William Faulkner e Saul Bellow, entre outros. Ganhou duas vezes o National Book Award, o PEN/Faulkner Award e o National Book Critics Award.
Em 2005, A Conspiração contra a América recebeu o prémio da Sociedade de Historiadores Americanos pelo «excepcional romance histórico sobre um tema americano relativo a 2003-2004» e foi nomeado como Melhor Livro do Ano pela New York Times Book Review, San Francisco Chronicle, Boston Globe, Chicago-Sun Times, Washington Post Book World, Times, Newsweek e muitas outras publicações periódicas. A Conspiração contra a América conquistou o W. H. Smith Award para o Melhor Livro do Ano, fazendo de Roth o primeiro escritor, nos 46 anos de história do prémio, a conquistá-lo duas vezes.
Em 2005, Roth tornou-se também o terceiro escritor americano vivo a ter a sua obra publicada numa colecção completa e definitiva pela Library of America. A publicação do último dos oito volumes está prevista para 2013.
Recentemente recebeu dois dos mais prestigiados prémios do PEN: em 2006 o PEN/Nabokov «pelo conjunto da obra [...] de originalidade constante e artisticamente perfeita» e em 2007 o PEN/Saul Bellow de Consagração na Ficção Americana, dado ao escritor cujo apuro ao longo de uma carreira sustentada o coloca ao mais alto nível da literatura americana.

1.4.08

Achei-lhe graça


28.3.08




Na luz oscilam os múltiplos navios
Caminho ao longo dos oceanos frios


As ondas desenrolam os seus braços
E brancas tombam de bruços


A praia é longa e lisa sob o vento
Saturada de espaços e maresia


E para trás de mim fica o murmúrio
Das ondas enroladas como búzios.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Efémero


Quase tudo.

24.3.08

Ideias



Ao ver esta imagem surgiu-me a ideia de "postar" aqui, um dia destes, uma coisita com o título "Este é o meu Corpo".

Sem prazo definido, fica a promessa.

20.3.08

Boa Páscoa


Porque Páscoa é isto - Passagem!
Do que é estéril, seco, murcho, desanimado ao
que é frutuoso, vibrante, esperançoso.
Páscoa é Renovação, por vezes de mentalidade e muitas vezes de atitude.
E todos teremos algumas limpezas a fazer, aproveitando a ocasião tão propícia.


Páscoa Feliz, Páscoa Feliz.

Gracinha do Google


A celebrar o 1º dia desta Primavera.


17.3.08

Curiosas imagens



Recebidas por e_mail: obrigada Francisco.

15.3.08

Um pequeno sarcasmo



Li aqui que esta foi a mais recente aquisição do Louvre.

14.3.08

Todo o tempo é de poesia

Das Pedras

Ajuntei todas as pedras
que vieram sobre mim.
Levantei uma escada muito alta
e no alto subi.

Teci um tapete floreado
e no sonho me perdi.
Uma estrada,um leito,uma casa,um companheiro.
Tudo de pedra.

Entre pedras
cresceu a minha poesia.
Minha vida...
Quebrando pedras
e plantando flores.

Entre pedras que me esmagavam
Levantei a pedra rude
dos meus versos.

Cora Coralina

12.3.08

De cinema

Tenho visto bons filmes nos últimos tempos.

Hoje vi este sobre as irmãs Ana e Maria Bolena, o nascimento daquela Elizabeth I que vi noutro excelente filme "Elizabeth: The Golden Age".



Anteriormente vi La Vie en Rose



e "Este País não é para Velhos"



Todos me agradaram.